Minha História!
As viagens sonoras e o violão-arte de Francisco de Assis
Diz a história do cinema nacional que Orson Welles, cineasta
americano, na busca da luminosidade ideal para filmar seu
longa-metragem "It´s all true!" ("É tudo verdade!") afirmou que
os dois lugares privilegiados em luz natural no Brasil eram
Jundiaí, em São Paulo, e Várzea Alegre, no Ceará. Welles não
conseguiu terminar o seu filme, um pequeno fracasso em
uma carreira de grande sucesso mundial, mas Várzea Alegre
continua sendo uma terra abençoada com luz e gente
maravilhosas. Prova disso é o nosso menestrel Francisco de
Assis, que adotou Joinville como sua cidade de morada e
trabalho, mas que teve como berço a luminosidade do sertão
cearense. Isso mesmo, aquela cidadezinha que encantou o
cineasta americano. Na sua meninice, Francisco era parte da
vida tranqüila do interior nordestino, sem muitos sustos ou
afobações, mas com sonhos de se tornar alguém um dia,
quem sabe um médico ou um engenheiro, quem sabe?
E antes que a vida respondesse alguma coisa, nosso
Francisco faz a primeira de muitas viagens, para casa de um
tio em Aiuaba, cidade próxima de Várzea Alegre. Conhece
gente daqui, conhece dacolá e de novo pé na estrada, dessa
vez de carona até Ponta Grossa, terra dos avós, onde nosso
futuro músico inicia uma não muita promissora carreira de
comerciante. Entre uma volta e outra à cidade natal, casa-se
com uma conterrânea, parceira de estrada e sonoridade até
os presentes dias. Enfim, Joinville. Aqui Francisco descobriu
sua sonoridade, enquanto trabalhava com vendas no
comércio local. Viu-se violonista e buscou o caminho para
desenvolver o ofício, tomando contato com a Casa da Cultura
de Joinville pela primeira vez aos 24 anos de idade.
Musicalidade na cabeça, pinho no punho e pés no chão,
receita que só pode terminar em sucesso, em desejo
alcançado. Mas não ainda. Resolve ir morar em São
Bernardo do Campo, vizinho à paulicéia desvairada, e nisso
tome mais 2 anos no Conservatório André Silva Gomes e 3
anos no Conservatório Dó-Ré-Mi, onde a parte instrumental
fica mais que lapidada. A esposa entra em cena e o retorno a
Joinville transforma-se em realidade. Ao voltar para nossa
cidade, Francisco de Assis começa a trabalhar como
professor de violão do CSU (Centro Social Urbano) do Iririú,
onde coloca sete anos de sua vida no ensino de violão para
crianças e adolescentes da comunidade. Realiza neste
tempo um concurso para professor de violão do SESC e
consegue o lugar. Mais oito anos e meio de pura dedicação
ao trabalho de formar novos violonistas, bem como o de se
aprofundar em pesquisas sobre métodos de aprendizado do
instrumento, lhe valem o reconhecimento como grande
músico profissional e o respeito dos joinvillenses por seu
método de ensino simples e inovador de aprender a tocar um
instrumento tão especial como o violão. Sucesso total e
inquestionável. Hora de seguir vôo solo e percorrer novos
caminhos, só que desta vez sem deixar a cidade que é sua
referência de trabalho e de vida. Ao contrário, trabalhando em
seu próprio espaço, com seus alunos, e empregando o seu
método de compreender e dominar a magia do instrumento;
um instrumento que um dia foi sonho e hoje é uma realidade
onde o nosso Francisco tira o incentivo continuar na luta. Para
nós, admirador da boa música, só resta ficar atento para não
perder a chance de estar por perto quando mestre Assis
resolver dar uma palhinha no seu violão preferido e povoar de
sonhos e alegria um momento desses da natureza. Valeu
mestre! Com uma voz incomparável !!!
Marcelo Serpa
ANescola Jornal ANoticia